simples imaginário, simples real

escrito em 13 de julho de 2014,
atual como ontem

Sou uma pessoa de livros e poucos móveis. Minha poltrona gorda, já velha (de tanto que eu a imagino), fica numa diagonal a um canto iluminado da casa com uma mesinha de pernas finas ao lado, onde se apoia a minha xícara enquanto eu leio. Uma estante, apenas, guarda os livros. Sem muita preocupação de ordem, porque também não sou nenhuma biblioteca abastada. Não sou colecionadora, sou leitora, curiosa. Essa estante também abriga um objeto ou outro com peso de memória, que orna e acrescenta curvas às linhas retas literárias.

Sou uma pessoa de plantas nas janelas e de velas cheirosas, de aconchego. Sou uma pessoa de madeira em cor natural, de chão quente pra eu caminhar descalça pela casa. Poucos cômodos e menos portas. Sou uma pessoa de uma enorme cama que é praticamente o único móvel do quarto; de um armário bem organizado, porque sou também uma pessoa que se diverte muito se vestindo com estilo livre e criativo. Não sou acumuladora de peças, sou criadora de combinações com opções reduzidas. O armário é aberto e arejado: fácil ver tudo e escolher o que vestir. Decoro com objetos úteis e relevantes. Nada é infundado.

Sou uma pessoa sem mesa de centro, com espaço para dançar e me exercitar e montar trabalhos manuais. Sou uma pessoa de cadeirinhas descombinadas que contornam uma mesa simples, provavelmente redonda, onde são feitas refeições caseiras e normalmente leves. Um sofá macio vira cama quando eu tenho visitas. Sou uma pessoa que gosta da solitude, do silêncio e do controle, mas que também aprecia, de vez em quando, o calor de outras companhias, dos movimentos livres e das risadas alheias preenchendo o meu espaço.

Sou uma pessoa sem tapetes, mas com uma manta na pontinha do sofá, para a hora do cochilo ou para aquele filme no finzinho da tarde, quando chove. Não assisto televisão, mas tenho um aparelho de onde assisto filmes, um Netflix, por que não, que não machuca ninguém e é prático.

Eu não sou uma pessoa de muitos luxos. Mas tenho sempre um vinho aberto na geladeira e fiz questão de incluir uma banheira. É bem possível que ela tenha um ar retrô. Ali também tem frequentemente uma velinha acesa, e umas frescuras naturais de banho.

Tomo um vinho, leio um livro, relaxo.

Não tenho carro, só ando de moto. É mais prático, mais barato, mais ecológico. Por isso, tenho que ter meus acessórios de segurança. Nada demais. Tudo fica guardado em um pequeno armário na entrada de casa: jaquetas, capacete, botas e luvas. Esse armário também guarda, logo que eu chego da rua, chaves, carteira e outras pequenices que se leva sempre na bolsa. E a bolsa.

Minha casa é clara e confortável. Da cozinha vem sempre um cheiro gostoso de comida. Sempre fresco. Ela é conectada com a sala, onde ficam o sofá, a poltrona e o suposto monitor para filmes. E também aquela mesa. Porta mesmo, só no banheiro, talvez no quarto. Existe uma escrivaninha, reservada em algum canto, onde ficam o meu computador e documentos e meus cadernos. É lá onde eu trabalho.

Hoje a minha casa imaginária saiu menor. De vez em quando eu a imagino com dois quartos separados, dois banheiros, um closet maior, talvez. Só saberei a verdade quando o momento chegar, mas enquanto isso a imaginação é capaz de maravilhas pra minha motivação.

✃ – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

Essa semana eu ‘tou de mudança. Pro quarto ao lado. Mas é suficiente pra eu aproveitar todos esses ares de novidade e passar por todos os meus pertences, manter só o que faz sentido na minha vida de hoje. Adoro esse tipo de processo, é praticamente um hobby desde criança. E essa chance inesperada é uma injeção de energia pra me despertar a agir: refrescar minha rotina e meu ambiente pra sintonizar toda a minha vida em direção aos meus objetivos.

Pela primeira vez, tenho planos de fazer algum tipo de documentação desse processo delicioso que é selecionar, descartar e organizar o ambiente e a vida. Começa pelo material, mas nunca pára ali. Não sei bem como vou fazer isso, se por vídeo ou foto e texto, mas acho que será interessante deixar o registro pra minha eu futura ou pra quem mais possa se beneficiar dele. Então é possível que eu dê um jeito de publicar esse conteúdo na Internet. Talvez por aqui mesmo, quem sabe? Quando eu decidir isso eu aviso.

E se há leitores por aqui, sintam-se livres pra protestar ou acolher esse projeto. Assim posso entender melhor a que espaço internético ele pertence. Senão, eu mesma decido e ‘tá joia.

diário de leitura: março 2016

Em março eu completei três daqueles livros que se foram acumulando sem eu perceber (vide entrada do mês passado). Claro que Ulysses não é um deles. E agora, fico feliz em informar, estou lendo só ele (provavelmente pro resto da minha vida, risos) e comecei Crime e Castigo, e vou ficar por aí, porque minha rotina está mudando um pouco, com o início do meu curso de pós-graduação em Revisão de Texto (‘tou animada, dá pra ver que ‘tou animada?!) e outras novidades pessoais chegando nesse mês de abril. Nada que envolva os livros, mas, enfim, ainda é minha vida. Juro, eu tenho uma.

Mas estou enrolando.

La Peste - Albert CamusO primeiro livro que eu terminei em março foi A Peste, do Camus, no dia 8. Li em francês e é bem tranquilo, gramaticalmente, pra quem já tem familiaridade com a língua. Um nível intermediário pra avançado. A escrita dele é muito direta, num francês bastante simples. Eu diria até didático. Mas confesso que perdi muito tempo obcecada em procurar ca-da-pa-la-vra que eu não conhecia ou não-tinha-certeza-absoluta-e-precisa-se-eu-estava-certa-na-minha-lembrança. Faz uns anos que eu não estudo francês, e não é exatamente uma língua presente na nossa rotina brasileira, né? Mas, claro, eu poderia ter parado muito menos pra procurar palavras que não eram essenciais pro entendimento ou que eu sabia o que eram mas queria só ter-certeza-absoluta. Nos últimos capítulos eu relaxei com isso e a leitura fluiu melhor.

‘Taí, na cara.

Enfim, esse livro vai tratar muito de perto da morte. Obviamente. Isso através da história do ano em que a verídica cidade de Orã, na Argélia, foi acometida pela peste bubônica. O protagonista é um médico que, pela profissão, vai presenciar os estágios da tragédia de muito perto. A cidade é o pano de fundo, mas a gente vai se familiarizar com algumas figuras com quem esse médico vai se envolvendo ao longo da narrativa. Todos homens, veja só que curioso. As personagens femininas são citadas, mas praticamente não dão as caras na narrativa.

O Camus, eu já tinha percebido quando li O Estrangeiro, anos atrás, tem uma abordagem muito crua, honesta, até fria, pra tratar da morte. Mas ainda assim eu consigo enxergar uma expressão poética nessa escrita. (Referência p. 42)

O narrador toma espaço pra fazer comentários e divagar. Às vezes parece que ele esquece até da história, mas são sempre umas reflexões totalmente válidas, então a gente embarca junto.

Conforme avança o verão, o livro vai ficando mais paradão, e me deu vontade de pular páginas. Mas não pulei. Percebi que esse ritmo corresponde perfeitamente ao clima do próprio ambiente da história: os cidadãos presos na cidade sem mais nada pra fazer, porque a cidade só semi-funciona e ninguém tem mais perspectiva de nada. De toda forma, quando o desenrolar vai ficando chato, meio maçante, o narrador aparece com uma informação interessante. Na página 112 dessa minha edição ele descreve um dia típico dessa nova rotina, é genial.

A presença da doença destaca o funcionamento anteriormente sutil de um povo, e evidencia falhas já existentes naquela sociedade. Comportamentos relacionados a politicagem, propaganda (p. 113), prioridades, fé, etc.

No fim, achei que o livro poderia ter sido um pouquinho mais curto, achei que ele se demorou demais em alguns momentos pra falar o que já estava dito. Demorei, mas foi uma leitura minuciosa e calma. E valeu totalmente a pena.

Onde os Velhos Não Têm Vez - Cormac McCarthyDaí minha cunhada me apareceu com esse livro, Onde os Velhos Não Têm Vez, assim sem referências, e havia um prazo de devolução pra pessoa de quem ela emprestou e eu não sou de recusar leituras misteriosas e então ele furou logo a fila e eu terminei a leitura no dia 14.

Muitos anos atrás, eu assisti ao filme baseado nessa história, então conforme eu lia, as cenas do filme iam se reconstruindo a partir da minha memória. O que quer dizer que foi uma adaptação bastante fiel, até onde me parece. E pode também ser meu raríssimo caso de gostar mais do filme do que do livro.

Mas veja por que:

A escrita do Cormac McCarthy é propositalmente relapsa. Por ser uma história bruta, que acontece no sul dos Estados Unidos, onde as pessoas são conhecidas por manter um porte meio machão e meio rude, e também uma arma sempre dentro das calças, acho que a ideia era passar essa severidade através de uma pontuação também dura, e às vezes meio que inexistente.

A minha impressão, no entanto, é que a tradução me trouxe um problema. Esse tipo de escrita simplificada, meio que representativa direta do ritmo da fala, talvez, funciona em inglês, que já é uma língua mais descomplicada. Mais ou menos uma pegada Hemingway de escrever. Mas a tradução ficou parecendo a escrita de uma criança de sete anos (sem ofensa pessoal às crianças). Foi fiel, talvez, ao original, talvez até demais, e não funcionou em português. Não pra mim. Pra mim, o livro ficou puramente mal escrito, e isso ficou no meio de eu aproveitar a história por si mesma quase o tempo todo. A verdade é que eu impliquei com o estilo desde o início e não consegui me desapegar. Nunca mais.

No entanto, a narrativa é muito bem construída, num ritmo legal, e eu acho que por isso a leitura vale. Mas o filme, que no Brasil ficou Onde os Fracos Não Têm Vez ( uma questão de delicadeza com a terceira idade, me parece), consome menos tempo, e até onde eu me lembro é muito bom, mesmo não sendo o meu tipo preferido de ambientação. É dos irmãos Coen e ganhou um Oscar, não que o Oscar seja realmente uma grande referência pra mim, mas é pra outras pessoas. E: adoro irmãos Coen. Já assistiram Fargo?

Mas sim, os livros!

Seguindo:

Negócios Digitais - Alan PakesFechei o mês com Negócios Digitais. Minha mãe falou, com esse livro na mão, que eu passo tanto tempo na Internet que eu deveria começar a levar a sério. Então obedeci. Mas foi uma leitura demorada, porque eu me envolvi zero com ele. Mas terminei, finalmente, no dia 19.

Cada capítulo é escrito por um cara diferente que fez sucesso on-line de alguma forma. Muitos deles são parágrafos e parágrafos de enrolação até a mensagem ser passada. E vários dos “bônus” presentes no site não passam de propaganda pro produto de outro cara ou uma repetição do que eu tinha acabado de ler no livro.

Além disso, muita coisa que já venho lendo e ouvindo por aí na Internet há anos. Mas os caras são as grandes figuras da área no Brasil, parece. Então, se você tem essa ambição, talvez valha a pena começar a conhecê-los. Pode ser uma boa base pra quem ‘tá chegando de paraquedas. Mas, a dica: arranja o livro emprestado, porque o conteúdo extra não vale tanto a pena, não. É fácil achar em outro lugar. Outro lugar da Internet, eu digo.

Quer dizer, é legal que eles se esforcem por passar a proposta de que, antes de tudo, você tem que ter algo de relevante, seja produto ou informação, pra compartilhar. Eles todos rejeitam o uso de spam e propagandas enganosas, por exemplo. Finalmente o marketing ‘tá deixando de inventar vantagens de produtos pra praticar o princípio de buscar beneficiários reais pros seus produtos. Tipo assim respeito. Será? A mensagem do livro é positiva, de incentivo a que se crie, que se gere valor pras pessoas, que se entregue algo antes de pedir retorno, etc. O princípio é bonito, a questão é quem realmente põe isso em prática dessa forma.

Acho interessante pesquisar sobre esse tipo de assunto, ainda mais pra mim que não tenho “negócio” digital, mas que ‘tou sempre por aqui, que consumo muito da Internet e que produzo algum conteúdo virtual também. Mas a verdade é que eu sou muito relutante com essas “normas” de como fazer um blog, por exemplo, funcionar. Gosto mais de seguir por um caminho mais autêntico. Claro, sei que com isso ainda não cheguei a lugar nenhum. Mas prefiro que pouca gente me encontre, e fique porque quer, do que achar que eu “pesquei” uma galera. Por outro lado, como as pessoas vão me encontrar se eu “me escondo” por aí? Enfim, não tenho esse espírito de vendedor, é algo que eu precisaria desenvolver em mim com muito esforço. Talvez seja válido, até certo ponto pelo menos. Mas essa é uma reflexão pra um texto inteiro… É bom conhecer as regras, e melhor ainda saber que eu não preciso, obrigatoriamente, pô-las em prática.

Daí, os últimos capítulos são mais interessantes, me pareceram mais honestos e menos puramente marqueteiros. Além de terem uma abordagem mais diversificada sobre o tema dos negócios digitais. Alguns dos meus capítulos preferidos foram os de: Victor Damásio, Erico Rocha, André Lima.

E pronto. Volto mês que vem, espero que com mais entusiasmo e menos verborragia. Para o bem de todos nós.

ficcionagem

Eu ‘tava aqui com vontade de escrever simplesmente e sentindo mais ou menos o clima do que eu queria desenvolver como raciocínio mas com preguiça de organizar ideias. Normalmente essas vontades preguiçosas eu preencho com um relato qualquer sobre o meu dia ou o que estou pensando. Chama-se diário. Mas então me veio na mente a descrição de um ambiente, com uma pessoa e ações e sabe-se lá onde uma cena dessas pode chegar porque eu não previ desenrolares. Acho que é uma abordagem interessante, seguir o clima em questão porém sem me ater a mim mesma. É um treino de narrativa e também, claro também, de ampliar a minha visão, transferir essa minha lente pra outro ângulo. Acho que isso pode mudar muita coisa.

Enfim, com o parágrafo anterior eu perdi o clima do clima da cena. Mas ganhei esse raciocínio. Eu adoro deixar certos raciocínios registrados por escrito, como se do contrário eu fosse com certeza esquecer tudo depois, ou como se eu pudesse provar pra mim mesma que já pensei nisso antes. Sei lá.

Enfim de novo, o clima continua aqui comigo, só ligeiramente indecifrável. Não sei como introduzi-lo. Esse tipo de situação esquisita típica dessas apresentações forçadas no meio da festa. Mas não é essa a imagem, a imagem sou eu, ou, enfim, uma pessoa que chega em casa tarde da noite, molhada da chuva, exausta do dia, frustrada com uma negociação que deu errado, o que já é totalmente uma invenção, porque é incontrolável criar enquanto se monta uma cena. Justamente o que torna o processo mais interessante que um diário simplesmente; o diário meio que tem um compromisso moral com a realidade que pode ser limitante. Pode-se desejar um futuro por páginas e páginas, mas nunca contá-lo como uma história. As roupas imundas e ainda meio morta de fome.

Ela entra em casa depois de se atrapalhar muito com a tranca da porta. Joga a bolsa pesada em cima do sofá e tranca a porta. O mundo externo agora lá fora, o dia sem poder exigir mais nada dela, nem fazer mais nada dela. Ela pega um copo d’água. Qualquer água, natural, do filtro direto. Ela toma esse copo d’água com muita calma, como que pra ditar o novo ritmo. Dentro da casa é ela quem dita a vida.

Então ela deixa o copo na bancada da pia e vai até o banheiro e liga a torneira de água quente pra encher a banheira. Ela vai até o quarto e tira os sapatos ou já tirou os sapatos assim que entrou, antes mesmo de tomar a água – é mais algo que eu faria, de toda forma – e tira a calça apertada e as roupas molhadas e claro que ela já tirou os sapatos na entrada, se ‘tava toda molhada, e joga tudo no chão em qualquer canto pra lidar com isso depois. Ela fica sem roupa, passando um pouco de frio – a chuva ainda caindo lá fora, e ela deliciada, porque agora está intocável e a chuva não pode fazer mais que a calma companhia da distância, o que é um respeito forçado, mas ainda assim um respeito menos invasivo – mas a pele respira e ela já se sente melhor.

Vai até a cozinha e enche mais um copo d’água, até a borda, mas deixa ali pra depois e vai até o banheiro cuidar de um arranhão desconfortável e sujo no braço.

Em seguida ela se lembra da fome e vai resolver rapidamente o problema de forma provisória. Umas uvas não cairiam mal, ou uma banana, mesmo que o ideal seja mesmo um prato de comida quente. Mas a comida quente virá ainda, depois do banho, antes de um sono pesado, finalmente confortável. É como um prêmio que só vai ficando melhor: há de se seguir uma ordem certa para o bom suspense e melhor aproveitamento de cada elemento.

Enfim, agora já não tenho mais nada que queira dizer; só quero voltar logo pra casa e deixar esse dia impossível no passado. Fico aqui enrolando, esperando a chuva passar, mas sei que esse dia inteiro está me provocando e essa batalha eu já nem me importo em vencer. A chuva não demonstra a menor intenção de me abrir um caminho seco por onde chegar em casa. E também agora é um detalhe e tanto faz. Minhas roupas já estão imundas e eu ainda meio morta de fome.

diário de leitura: fevereiro 2016

Não é que eu tenha lido pouco esse mês, não. Mas caí, de novo, na armadilha de começar muitos livros de uma vez como se não houvesse amanhã. Sou meio ansiosa assim mesmo.

Estou atualmente enrolada em quatro leituras simultâneas, e isso está me atrapalhando bastante, não necessariamente pelo volume, mas porque as escolhas me complicaram a vida. Veja lá:

Comecei A Peste em francês (e tenho tido muito mais problemas de vocabulário do que o previsto, mesmo a escrita do Camus sendo bastante simples) e Ulysses em inglês (quer dizer, Ulysses já é complicado na própria língua nativa do leitor… não sei por que fui me meter nessa, vai ser uma leitura pra mais de um ano, – e esse ano eu comecei tudo de novo, porque já ‘tava confusa o suficiente e queria fazer o negócio direito – devagar e sempre). Daí comecei um livro não-ficcional sobre empreendedorismo digital. Um livro muito simples de ler, além de repetitivo e cheio de informação que eu já conhecia, mas que eu não consigo só passar o olho em busca de algo que valha porque tenho FoMo.

Oi, meu nome é Natália e eu tenho FoMo.

‘Tou trabalhando a conscientização-seguida-de eliminação disso aí. Muita calma. E aí, como se não bastasse, eu resolvi começar mais um livro. Porque sim, porque a sanidade me deixou na mão mais uma vez.

Justificativas desnecessárias concluídas, vamos aos livros do mês:

Dia 5, eu terminei Os Cavalinhos de Platiplanto, do José J. Veiga. É uma coleção de contos que têm em comum a ambientação bem regional das fazendas do interior de Goiás, estado natal do autor. São contos com clima de crônica, e muitos deles são narrados por meninos e não adultos, o que achei interessante pelo ar de nostalgia de uma juventude livre, criativa que nas grandes cidades já não existe mais.

Achei que seria mais maluco, como literatura, porque o José J. Veiga é dos maiores representantes do realismo fantástico brasileiro, mas o foco infantil já torna tudo tão mais possível que pra mim ‘tava tudo bastante natural.

Meu conto preferido se chama “Era Só Brincadeira”, que por acaso foge um pouco desse clima da ingenuidade infantil pra trazer o tom mais macabro de todo o livro, mas que me causou um estranhamento tão grande (que eu adoro!), que precisava ser enfatizado.

Em geral é uma leitura gostosa; é bem a minha praia em termos de gênero, mas não de temática.

Daí dia 11 eu terminei O Diário de Anne Frank, que, pra quem andou morando debaixo de uma pedra, é um diário autêntico de uma jovem alemã judia que se mudou pra Amsterdam com sua família pra fugir das loucuras do Hitler. Ela começou a escrever nesse diário aos 13 anos, e a última entrada é de 1º de agosto de 1944, quando ela já tinha 15.

As primeiras entradas ainda são escritas por uma menina livre, com uma família de boas condições e preocupações habituais. Apesar de sentirem na pele a Segunda Guerra Mundial, não haviam sofrido profundamente suas consequências. Até que sim.

Quando o poder de Hitler ultrapassou os limites da Alemanha, a família optou por se esconder no que eles chamavam de Anexo Secreto, no sótão do edifício onde o pai de Anne trabalhava. E nos anos de confinamento que seguiram, Anne foi se desenvolvendo como adolescente, ser humano, mulher, escritora. É o que a gente acompanha no diário.

Algumas passagens são banais, até meio chatinhas. Anne muitas vezes se mostra egocêntrica demais (mas não é exatamente disso que se trata um diário?). De toda forma, ela se expressa muito bem e é muito sagaz. E como toda menina da sua idade, ela não tem nenhum interesse em se aprofundar nas questões políticas do mundo e da guerra. Obviamente, por várias vezes não dava pra fugir do assunto, mas a verdade é que ela só queria viver a vida dela.

Eu mesma escrevo diários desde os meus 10 anos, então me identifico demais em diversas passagens. Vários desabafos até hoje permanecem no papel. Nunca passei por uma situação de confinamento, opressão, horror como a dela, mas identifico as questões existencialistas, as banalidades, os momentos de dúvida sobre o próprio caráter, as análises de defeitos, próprios como alheios, os planos, os sonhos.

Em 2004 eu pude conhecer a Casa de Anne Frank, que é esse mesmo espaço do Anexo Secreto, em Amsterdam, agora um museu. Queria ter lido o diário antes, pra ter hoje uma memória muito mais viva dessa experiência. Mas me lembro de, com toda a minha ingenuidade, me sentir desconfortável e ter raiva da situação em que aquelas pessoas precisaram estar. Mas na época imaginei algo muito pior do que ela relata no diário. Eles lá estudavam e liam bastante, e de vez em quando faziam piadas e até riam. Em algumas horas do dia eles tinham água corrente e um banheiro, eu não me lembrava disso.

Não que essa superfície chegue sequer perto de compensar o sofrimento e as injustiças pelos quais essas e todas as outras famílias judias passaram. Nada disso compensa a humilhação, o direito não cumprido de uma infância, de uma adolescência, de uma vida digna. Só quero dizer que eu tinha um medo enorme de que essa leitura fosse pesada demais pela situação, mas fiquei alegremente surpresa ao sentir que a leveza dessa menina bastante “comum” torna o foco de humanidade muito mais em evidência do que as atrocidades de um exército de imbecis. Essa é a esperança.

Climão.

Ufa.

Enfim, agora vou desenrolar essa bagunça de leituras em que me meti. Em março eu pretendo terminar pelo menos dois desses livros (já sabemos, não Ulysses) e manter uma regrinha de no máximo duas leituras simultâneas. Vamos ver como me comporto, porque sei que já disse isso antes. Risos.

um assunto

Parece difícil encontrar um assunto sobre o qual escrever. Pra levar a prática da escrita um pouco mais a fundo, é essencial imergir nos desafios, seja da variedade ou da temática previamente definida, seja o de resgatar temas relevantes negligenciados ou o de reagir ao que está em alta JÁ. No meio-tempo, desenvolver opiniões frescas.

Eu fico de frente pra tela em branco e absolutamente em branco vejo também a minha mente. Não tenho assunto, não tenho opinião, nada vi, nada ouvi, nada sei, vivo num vácuo do universo.

Claro que não. Mas eu ainda tenho minha sensibilidade destreinada pra notar os detalhes que fazem a diferença, e dificuldade em perceber argumentos que se apresentam claros na minha frente, como potencial.

Posso fazer um texto inteiro sobre a minha indecisão diária do que comer no almoço. Quando vejo o relógio marcar meio dia, rola o estresse do que fazer. Posso até desenvolver dicas de como evitar fazer o mesmo, porque o almoço não precisa ser um estresse, ele pode ser planejado ou simplificado, conforme a preferência do cliente. Posso falar da minha rotina de exercícios, que tem realmente funcionado sendo divertida e eficaz há meses, o que é tempo suficiente pra considerá-la aprovada. Além de ser gratuita e prática, e o que mais posso pedir de uma rotina de exercícios? Posso falar da minha depressão que vem e vai e de tudo o que tenho feito pra evitá-la e o que tem funcionado. Muita coisa tem funcionado, é maravilhoso. Posso falar da minha dificuldade com dinheiro, e assumir que no fundo eu acho que o dinheiro é “mau”. E, claro, posso dar dicas ou até atualizações (veja, mais artigos encaminhados) do meu processo de superar isso e enfim aceitar o merecimento de poder sustentar uma vida confortável pra mim. Posso falar de livros, porque eu agora voltei a lê-los. Ano passado li 47 livros, é bastante, né? Nunca tinha lido tanto livro em um ano na minha vida, e fiquei muito feliz. E não precisei abrir mão da minha vida pra isso, eu só os incluí na minha rotina eliminando parte do excesso de Internet, basicamente. Simplesmente tomando a decisão de ler nas horas vagas ao invés de jogar ou assistir e, ok, ao invés também de sair e encontrar amigos (ou outros compromissos afins). Uma escolha minha, ainda válida. Ainda mais agora que eu resolvi assumir meu lado Sherlock Holmes, solitário e esquisito de ser. Estou obcecada. Poderia falar da minha obsessão por Sherlock Holmes desde criança, ou do meu fascínio e secreto desejo de ter sido ou ainda ser uma detetive nessa vida. Que sonho! Poderia falar sobre a minha relação conturbada com a indústria da moda, e de como ela anda apagada na minha vida atual, sem fazer a menor falta. Poderia falar de tudo o que sei sobre gatos. Adoro consumir informações sobre gatos, acho curiosas. Sei vários detalhes inúteis, alguns talvez mentirosos, sobre eles. Algo útil sempre sobra também. Poderia falar sobre o meu método de organização de agenda. Ou de gavetas, aliás, ou de qualquer outra área necessitada de organização, porque sou muito boa nisso. Também poderia dedicar páginas e páginas à divulgação da simplicidade, que me fez nunca mais precisar de todas as minhas técnicas de organização. Uma mudança radical de vida, visto que “organizar” sempre foi dos meus hobbies favoritos. Não tem feito a menor falta, o tempo que eu gastava brincando de reordenar o que já estava em ordem. Vez ou outra me volta essa vontade, como momento de lazer, de organizar qualquer coisinha, mudar as coisas de lugar, encontrar uma melhor maneira, mais praticidade ou mesmo só um apelo estético mais agradável pra mim. Adoro um método. Daí eu arrumo de outra forma o que já não precisa ser arrumado, porque sempre dá pra ser diferente e, quem sabe, melhor. É uma forma de alimentar a criatividade, também. Aí outra opção de tema.

Em um brainstorm de menos de cinco minutos, eu criei rascunhos possíveis pra meses de diversão. Qual é mesmo o meu problema com a escrita?

Óbvio que não é encontrar um assunto. É a cisma que eu tenho de que eu preciso DO assunto. Besteira. A solução é, primeiramente, assumir qualquer assunto como potencial de conteúdo. Fazer uma banalidade se tornar interessante é trabalho do autor tanto quanto renovar o que já era obviamente pauta. Em seguida, dedicar tempo e carinho a esse potencial texto. Exige pesquisa e exige a criatividade de explorar e experimentar outros ângulos. Exige a dedicação da observação e da análise. Exige trabalho, tipo assim um trabalho como outro qualquer.

Crise resolvida.

Próximo!

diário de leitura: janeiro 2016

Comecei o ano no meio da saga do Guia do Mochileiro das Galáxias, escrita pelo Douglas Adams. Ótimo pra já começar engatada em alguma coisa, algo leve. Achei que seria a cara do verão, mas a verdade é que fiquei um pouco desapontada com a série em geral. Acho que esperei demais pra dar uma chance a ela e passei do tempo. Mais de dez anos estive ansiosa pra conhecer o segredo por trás do número 42 e… algo sobre toalhas? Esperei demais e minha alegre juventude deu lugar à rabugice.

A Vida, o Universo e Tudo Mais - Douglas AdamsO terceiro volume da série, A Vida, o Universo e Tudo Mais, eu terminei de ler no dia 8 (tempo demais pra uma leitura tão tranquila). Até então, o mais chato da série. Agora já não me lembro mais de um motivo específico pra essa impressão, já que não fiz anotações na época. Confesso que já perdi vários detalhes na memória, e acho que isso já diz alguma coisa sobre o meu interesse.

Minha tática a partir do próximo mês vai ser fazer pequenas anotações e comentários enquanto surgirem durante a leitura, porque senão me perco todinha e fico sem nada pra falar, sendo que durante a leitura sempre me vêm algumas ideias ou reflexões na cabeça. Enfim. Não foi o melhor início literário possível, mas ainda tenho muitas chances reverter o placar.

Até Mais, e Obrigado pelos Peixes! - Douglas AdamsTerminei o volume seguinte, Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!, no dia 12. Originalmente, era pra ser o último da série. Tem isso: eu fiquei bastante confusa com essa história de uma “trilogia em quatro volumes” com cinco livros. Mas hein?! Chegaremos lá. Eu me lembro de ter achado este muito mais divertido por algum motivo. Não me lembro da história de nenhum deles mais, estão todas misturadas na minha cabeça. Muita informação, o tempo inteiro. Foi uma das razões pra minha dispersão, chegou um ponto em que eu já não aguentava mais tanto absurdo sem explicação, tanta liberdade criativa, tanta piada emendada na outra, fiquei cansada de tanto humor, se é que pode isso. Nem sequer me lembro do final de nenhum dos livros.

Praticamente Inofensiva - Douglas AdamsO último é o mais excessivo de todos. Praticamente Inofensiva. Um pouco diferente do resto da série, mas não achei tão diferente quanto ouvi dizer. Não me pareceu um spin off, pareceu só que a maluquice, sendo dispersada em universos paralelos, pode mesmo tomar qualquer rumo. Achei uma história desesperada por atenção.Queria adorar esses livros, mas não dei conta. Também não odiei. Especialmente o início da série, é divertido e tão maluco que me trouxe um frescor, uma leitura fácil, movimentada e criativa. Depois foi muito do mesmo e eu cansei mesmo, a verdade é essa.

Tive a sensação de que a linguagem durante a série foi ficando menos infantil, mas pode ter sido só que eu me acostumei a ela e consegui passar a ler pela história e não pelas palavras. Não sei. Sou adaptável assim. Risos.

Parece que eu só falei mal dessa série inteira, mas é o que acontece quando se cria expectativa. A verdade é que eu li tudo do início ao fim, então alguma diversão eu tive. É uma forma leve de passar o tempo e, de fato, uns insights geniais. Diz-se que a precisão científica das invenções do Douglas Adams são admiráveis também, o que eu acho fantástico mesmo não sendo capaz de compreendê-las a ponto de poder confirmar veracidade. Se eu tivesse lido na adolescência, teria apreciado muito mais, é essa a minha impressão.

Mrs. Dalloway - Virginia WoolfDaí eu retomei Mrs. Dalloway, que na verdade foi o primeiro livro que eu peguei no ano mas que não ‘tava engatando, então deixei descansar. Porque sabia que tinha alguma coisa pra mim em Virginia Woolf. Liberada do compromisso com Douglas Adams, retomei Clarissa indo comprar as flores sozinha e fui determinada até o fim.

Digo determinada porque Virginia me deu muito trabalho. Alguns parágrafos eu relia umas cinco vezes antes de achar que eu podia seguir em frente. Mas aí eu pegava o embalo e essa escrita toda nova pra mim foi fascinante mesmo. As mudanças de ponto de vista, os poucos acontecimentos que têm tanto movimento que parecem muitos. Sou fã assumida dessa bagunça mental trazida à tona no papel. Nenhuma forma melhor de descrever e expor uma personagem do que com suas divagações explícitas sem censura. Virginia Woolf não é conhecida pelo seu abuso do fluxo de consciência por acaso. Que delícia que é! Meu ano já está salvo.

Scrum para Escritores - Alexandre HerediaE tem o último livro do mês, bem curtinho, que eu li em uma tarde pra um projeto pessoal/profissional, o Scrum para Escritores. Scrum é um método de organização de equipe usado por empresas no desenvolvimento de projetos de software. Daí esse cara, Alexandre Heredia, nos trouxe uma adaptação desse método para o processo da escrita, tão conhecido por ser um trabalho mais solitário.O livro é muito objetivo, direto ao ponto, sem passar a mão na cabeça do escritor que quer a visita da fada musa da inspiração, mas ao mesmo tempo dando a motivação prática necessária pra gente sentar e produzir o produto de forma organizada e planejada. E pronto. Afinal, é um trabalho como qualquer outro, com etapas importantes, algumas chatas e outras tão legais a ponto de nos terem feito escolher a profissão. Interessante.

menos

Nesse modo automático que a rotina acaba desenvolvendo, a gente vai acumulando um bocado de coisa desnecessária na vida. Parece que a regra padrão atual é abusar do mais e do maior, então é esse o lugar seguro em que o nosso automático se acomoda. O mais ocupado é produtivo, o mais consumista é rico, o mais rápido é esperto. O abundante de hoje em dia ficou deformado.

Menos.

É hora de tomar consciência das nossas decisões diárias e revertê-las num aproveitamento mais inteligente da nossa vida. A cultura do menos traz de volta o frescor e a razão, e nos ajuda a eliminar esses excessos e redescobrir o equilíbrio perdido.

1. menos tralha.
Tralha é tudo aquilo que ocupa espaço (físico ou mental) sem oferecer funcionalidade. Tudo aquilo que está quebrado, estragado ou abandonado há pelo menos um ano esperando, em vão, uma atitude merece um novo destino. Quando um objeto é realmente útil e apreciado, a atitude necessária é tomada logo. Outro passo importante é se livrar de repetidos e obsoletos ou, ainda, daquilo que é mantido por pura obrigação. Procure as tralhas na cozinha, no escritório, nas prateleiras e, muito possivelmente, no fundo dos armários, e passe-as adiante, pra onde elas possam ser honestamente bem-vindas. A tralha de um é o tesouro do outro.

Ah, e tem o guarda-roupa. Esse tanto de roupa que você insiste que um dia vai magicamente cair bem e você vai finalmente usar (ou que você insiste e usa, mas nunca se sente bem nesses dias), só serve pra tornar difícil achar aquelas peças de que você realmente gosta. Essas peças, sendo a tralha que são, ficam constantemente te lembrando de que você não está no peso que queria ou que não tem um tipo específico de corpo ou que não tem coragem de fazer combinações tão ousadas quanto gostaria. Você se dando conta ou não, isso ‘tá sempre ocupando a sua cabeça. E não que sirva de motivação pra você fazer algo a respeito, né? É estresse puro e nada mais.

Esse apego impede que você refresque seu estilo e relaxe, se divertindo com as roupas que te fazem sentir confiante e confortável na sua vida real – e não na imaginária. Pra resolver esse excesso, existem os chamados capsule wardrobes, ou guarda-roupas cápsula. São projetos nos quais você seleciona uma pequena coleção sazonal entre as peças que tem e aprende muito sobre si mesmo no caminho, sem precisar se desfazer de nada definitivamente enquanto não estiver seguro. Existem vários formatos que você pode usar como guias. Ou pode criar as suas próprias “regras”.

2. menos consumo.
Saber selecionar o tipo de produto e serviço que entra na sua vida é um portal pra tranquilidade. Dê espaço apenas pra produtos de qualidade, adquiridos com consciência e com calma. Pra isso, fugir das tentações da publicidade e das vitrines – reais ou virtuais – ajuda bastante. Evitar que os objetos se acumulem na nossa vida é muito mais produtivo do que ter que lidar com as tralhas que eles viram depois.

3. menos compromisso.
Diga não a mais um novo projeto, a mais uma saída social enfadonha. Ser uma pessoa sempre “ocupada” não te faz uma pessoa melhor. Ter tempo livre não é pecado! Reserve horários de lazer e descanso como compromissos inadiáveis na sua agenda. Garanta passar um tempo sozinho, à toa. Priorize objetivos e pessoas, e mantenha um foco.

Menos compromisso também quer dizer selecionar bem os relacionamentos. Pode parecer prepotência, mas é totalmente saudável e necessário eliminar da sua vida as pessoas tóxicas, que te puxam pra trás. Não que sejam necessariamente más pessoas, mas em geral são relações que mutuamente já não acrescentam mais nada positivo. Normalmente, essa evolução é algo que se dá de forma natural, mas acontece de a gente se apegar a um relacionamento às vezes abusivo ou simplesmente entediante sem perceber – é o modo automático ativado. E isso com certeza é mais um peso desnecessário nas costas.

4. menos caloria vazia.
A atenção ao consumo (vide item 3) cabe como uma luva quando se fala em alimentação. Alimentos frescos, diversificados e o mais naturais possíveis dão ao corpo o combustível necessário pra seguir com a rotina (ou pra dar uma fugida dela de vez em quando) sem acumular excessos no seu organismo. E normalmente têm uma embalagem mais consciente. Aqueles de procedência local exigem menos transporte. Procure produtores locais e confiáveis, aprenda a cozinhar refeições simples, nas quais você controla os ingredientes e o sabor. Comer de forma funcional vai aumentar a sua energia, vai criar uma relação muito mais íntima (e amigável!) com a comida e ainda pode ser uma nova atividade divertida. Além de diminuir tempo e dinheiro com médicos e doenças.

O mais importante é começar substituindo os ultraprocessados (como açúcar, refrigerante, biscoitos industrializados e basicamente qualquer comida que vem embalada “pronta pra comer”) é algo que naturalmente já reequilibra o organismo, sem restrição, sem dieta, sem dúvida. Pra quem luta com sobrepeso ou falta de energia, as mudanças logo começam a aparecer. (Aí sim, depois de emagrecer é que é a hora de renovar o guarda-roupa, e não o contrário.)

5. menos virtual.
Reduza sua presença virtual. Descadastre-se dos e-mails de lojas e sites (o que também serve pra evitar as tentações do consumismo desenfreado) pra não perder tempo deletando lixo. Foque no conteúdo que você consome por prazer e interesse francos, ao invés de ficar perambulando horas pela Internet sem destino. A Internet não tem fim. Talvez tenha, mas não procure.

Pra organizar e priorizar sua presença online, escolha as redes sociais com as quais realmente se identifique e cancele todas as outras. Também existem vários bons programas que permitem reunir o conteúdo dos seus blogs e sites favoritos a seguir, e você só passa por eles no momento reservado a isso. O Feedly é um deles, ou também o Bloglovin’. O Pocket, por exemplo, é uma excelente ferramenta pra salvar os artigos que você quer ler quando tiver tempo. Escolha o seu canto preferido da Internet e ignore todo o resto. É como se você quisesse morar em todos os países do mundo ao mesmo tempo. É, não dá.

6. menos julgamento.
Não leve tudo o que os outros dizem tão a sério, menos ainda leve como pessoal. Também não se leve tão a sério. Na maioria das vezes, a maior parte do que as pessoas falam é bobagem dita sem pensar. Não compre briga. Nem consigo mesmo nem com o mundo. Os erros são comuns a todos nós, e ninguém erra honestamente de propósito. Abra mão da última palavra. Só um teimoso é capaz de identificar um outro. Ouça o que os outros dizem ao invés de ficar ensaiando na cabeça a resposta antes mesmo da pergunta.

Pratique aceitar as coisas como elas vierem, mesmo que pareçam fugir um pouco aos planos. Na grande maioria das vezes a gente não é capaz de enxergar todas as possibilidades disponíveis, então vamos tentar nos manter mais abertos ao diferente: ele pode ser ainda melhor do que qualquer outra opção que a gente pôde imaginar.

7. menos pressa.
Dê tempo pro raciocínio, pra reflexão. Essa é a melhor maneira de simplificar a comunicação com os outros, e evita muito mal entendido e dor de cabeça. Tome seu tempo pra tomar uma decisão, dar uma resposta ou fazer uma refeição. Pratique estar presente no momento presente, faça tudo com mais calma, sem tentar pular etapas.

Aprecie um ritual matinal, uma boa xícara de chá, uma conversa, uma leitura, a hora de se vestir, as pessoas mais importantes, as atividades que te aproximam cada vez mais dos seus objetivos. O melhor exercício pra calma e atenção ainda é a meditação.

Desacelere, vale a pena.

8. menos distração.
As categorias acima todas se resumem a isso: distração.

As distrações estão por toda parte: a caloria vazia você quer evitar, mas que está sempre na despensa fazendo tentação; a Internet e a televisão, sempre tomando mais tempo da gente do que seria são; pessoas que nos atrasam de seguir atrás dos nossos objetivos; compromissos que a gente não dá conta de cumprir com calma e qualidade; objetos e roupas de que não gostamos, tomando atenção e espaço de outros que poderiam nos facilitar a vida.

Calma.

Aproveite o momento presente, qualquer que seja ele, com tudo o que ele contém. Esteja presente. Tire proveito de todas as oportunidades, mesmo daquelas que a princípio pareçam desagradáveis ou que não tenham cara de ser o que você teria escolhido. O excesso de tarefas, especialmente as simultâneas, não é mais que uma distração daquilo que realmente importa, que são seus objetivos de vida, suas prioridades de cada momento.

Limitar as distrações no cotidiano é ganhar foco e reforçar os bons hábitos. Com isso, a liberdade também de ceder a um desvio ou outro de vez em quando sem consequências pra sua paz e saúde. Uma tarde de folga passeando sem rumo pela Internet, uma sobremesa caprichada em um jantar especial, nada disso é proibido, nada disso é prejudicial, quando são exceções, eventualidades. Proibir de vez a enorme quantidade de opções que existem, se privar eternamente de qualquer coisa que ainda se tenha vontade também é uma fonte de estresse. Calma. Um passo de cada vez.

* * *

Minha sugestão é que você comece a tentar praticar essas mudanças uma de cada vez, aos poucos, testando e vendo o que funciona melhor. Uma categoria de cada vez, um item de cada vez. Sem pressa. Aos poucos as mudanças aparecem, e você ganha motivação pra seguir em frente, com menos estresse, menos medo, menos peso na vida.

Toda mudança tem um período de adaptação, que costuma ser um pouco desconfortável. Quem disse que é necessário sofrer com o desconforto? E quem inventou essa regra de que devemos estar 100% do tempo confortáveis com tudo ao nosso redor? E a graça, cadê? Toda tarefa divertida tem sua partezinha chata, porém essencial. Todo sucesso passa por dificuldades primeiro. É o que faz valer a pena.

Boa jornada!

melhores leituras de 2015

minhas leituras em números:
❧ total: 47

❧ 11 nacionais vs. 36 estrangeiros
❧ línguas:

34 português
 12 inglês
 1 francês

29 homens vs. 18 mulheres
❧ cronologia:

 12 XXI
 26 XX
 6 XIX
 1 XVIII
 1 I
 1 A.C.

32 ficções vs. 14 realidades
❧ viveria sem: 9 (dos quais 4, podendo, escolheria meu tempo de volta)
❧ colecionando clássicos (14):

 the great gatsby (f. scott fitzgerald)
 cem anos de solidão (gabriel garcía márquez)
 lolita (vladimir nabokov)
 a metamorfose (franz kafka)
 a arte da guerra (sun tzu)
 the picture of dorian gray (oscar wilde)
 frankenstein (mary shelley)
 the strange case of dr. jekyll and mr. hyde (robert louis stevenson)
 pride and prejudice (jane austen)
 a revolução dos bichos (george orwell)
 o sol é para todos (harper lee)
 the bell jar (sylvia plath)
 the autobiography of benjamin franklin (benjamin franklin)
 o guia do mochileiro das galáxias (douglas adams)

 

os melhores

(em ordem de leitura)
nota: classifico minhas leituras por aproveitamento pessoal e não pela qualidade técnica e afins. são preferidas as leituras que mais se comunicaram comigo e me instigaram de alguma forma

1. da tranquilidade da alma – sêneca, século I

 

2. a moveable feast – ernest hemingway, 1964

 

3. sonhos de robô – isaac asimov, 1986

 

4. just kids – patti smith, 2010

Just Kids - Patti Smith
 

5. the great gatsby – f. scott fitzgerald, 1925

The Great Gatsby - F. Scott Fitzgerald
 

6. cem anos de solidão – gabriel garcía márquez, 1967

Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez
 

7. like water for chocolate – laura esquivel, 1989

Like Water for Chocolate - Laura Esquivel
 

8. a metamorfose – franz kafka, 1915

A Metamorfose - Kafka
 

9. o sol é para todos – harper lee, 1960

O Sol é Para Todos - Harper Lee
 

10. the bell jar – sylvia plath, 1963

The Bel Jar - Sylvia Plath

* * *

* * *

todas as leituras

(vide minha estante de leituras)

  1. da felicidade da alma (sêneca)
  2. o castelo de papel (mary del priore)
  3. clarissa (erico verissimo)
  4. a vida do livreiro a. j. fikry (gabrielle zevin)
  5. um gato de rua chamado bob (james bowen)
  6. o que toda mulher deve saber sobre a decoração do lar (neusa testa)
  7. a moveable feast (ernest hemingway)
  8. sonhos de robô (isaac asimov)
  9. french women don’t get fat (mireille guiliano)
  10. hamlet e o filho do padeiro (augusto boal)
  11. organize-se (donna smallin)
  12. contos fantásticos do século xix (italo calvino)
  13. cadê você bernardette (maria semple)
  14. just kids (patti smith)
  15. a insustentável leveza do ser (milan kundera)
  16. eugênia grandet (honoré balzac)
  17. the great gatsby (f. scott fitzgerald)
  18. inventário de segredos (socorro acioli)
  19. un lieu incertain (fred vargas)
  20. cem anos de solidão (gabriel garcía márquez)
  21. like water for chocolate (laura esquivel)
  22. o mistério da cidade-fantasma (marçal aquino)
  23. lolita (vladimir nabokov)
  24. a metamorfose (franz kafka)
  25. a arte da guerra (sun tzu)
  26. the picture of dorian gray (oscar wilde)
  27. o outro pé da sereia (mia couto)
  28. frankenstein (mary shelley)
  29. the strange case of dr. jekyll and mr. hyde (robert louis stevenson)
  30. pride and prejudice (jane austen)
  31. minha mãe não dorme enquanto eu não chegar (moacyr scliar)
  32. a revolução dos bichos (george orwell)
  33. dublinenses (james joyce)
  34. o exército de um homem só (moacyr scliar)
  35. o cinema de meus olhos (vinicius de moraes)
  36. tempo de semear (clara sebastianes)
  37. o sol é para todos (harper lee)
  38. laços de família (clarice lispector)
  39. the bell jar (sylvia plath)
  40. o sangue dos outros (simone de beauvoir)
  41. the autobiography of benjamin franklin (benjamin franklin)
  42. pastoral americana (philip roth)
  43. um diário russo (john steinbeck / robert capa)
  44. o guia do mochileiro das galáxias (douglas adams)
  45. search inside yourself (chade-meng tan)
  46. a festa de babette – e outras anedotas do destino (isak dinesen)
  47. o restaurante no fim do universo (douglas adams)

Esse ano eu li 47 livros. Por isso, só por isso, resolvi assumir o compromisso, a resolução, de ler 50 livros em 2016. Um desafio estimulante, mas sem pressão.

Para o caso de eu não estar falando sozinha: vamos conversar sobre resoluções literária e leituras em geral! Quais livros foram os mais especiais pra você em 2015?

um escritor

Eu escrevo desde sempre, mas raramente fui lida; nunca publicada. Porque a verdade é que eu não tenho o hábito de concluir nada. Não depois de encerrada a minha vida acadêmica, não.

O que é preciso para ser um escritor.

Pra ser escritor, basta se autoproclamar escritor.
Ou
É necessária uma troca financeira por esse produto escrito, pra que Escritor seja o nome de uma profissão.

Qualquer arquivo cheio das suas palavras é o produto de você ser escritor.
Ou
É necessário atingir leitores. Não apenas ser lido, mas que atinja o leitor. Um leitor apenas, basta.

Um escritor precisa escrever bem ou precisa escrever constantemente, ou precisa ser criativo, ou autêntico. Um escritor precisa ter um texto finalizado. Um escritor precisa. Um escritor precisa escrever.

Um escritor é uma pessoa que não consegue se expressar pela palavra falada, ou pela dança, ou pelo desenho ou pelo artesanato ou pela música. Um escritor é uma pessoa artista, e um escritor é um escritor porque ele não tem outra saída.

O escritor é aquele que tem seu nome estampado na capa, e está disponível nas prateleiras de grandes livrarias. Ou pequenas.
Ou
Um escritor não é necessariamente o nome que vem na capa, porque o escritor pode ser um elemento fantasma de um produto. O escritor que escreveu anonimamente é escritor da mesma forma. Pra ser escritor, não é necessário anunciar pra todos os cantos que se é escritor. Mas é necessário ser lido, essa troca é imprescindível.

A chamada tríade essencial do teatro dramático consiste em texto, ator e público. Pra ampliar um pouco o conceito, elimina-se o “dramático” e diz-se que o teatro-simplesmente consiste, em essência, em: ator, espectador (que basta ser um) e uma ação (que pode ser  ou vir de um texto, preparado ou improvisado, pode ser por movimentos e pode até ser a ausência de tudo isso). São portanto dispensáveis: diretor, dramaturgo, cenário, figurino, etc., etc., etc. elementos. Grotowski (que é um cara importante no meio teatral) atingiu pontos extremos em seu experimento com o chamado Teatro Pobre. Mas nem no mais pobre dos teatros se conseguiu eliminar um receptor.

Uma árvore que cai numa floresta, quando não há quem a ouça, ela faz barulho ou não. A mesma resposta vale igualmente para o ofício do escritor.

Todo artista precisa de um público e de aplausos e de vaias.
A indiferença desvalida a arte do artista.

Tudo acima foi escrito com pontos finais, para que o texto não seja uma sucessão de dúvidas sem respostas, e porque toda pergunta é também uma resposta válida. É preciso escolher uma delas.

?

diário de leitura: dezembro 2015

No último mês do ano eu acabei naturalmente dando aquela decisiva aceleradinha de fim de corrida. Tentei alcançar 50 leituras no ano, mas acabei finalizando em 47. Tudo bem, bom que sobra espaço pra aumentar o número ano que vem. Sem pressão. Mas é meu descompromissado objetivo pra 2016: 50 livros. Mas sem pressão. De toda forma, valeu pra dar um pique final na conclusão do ano.

Um Diário Russo - John Steinbeck e Robert CapaSó em dezembro foi que eu finalmente concluí meu Desafio Livrada 2015, terminando Um Diário Russo, dia 6, pra categoria “livro-reportagem”.

John Steinbeck e Robert Capa viajaram juntos pra Rússia no período da Guerra Fria, final dos anos 40, pra voltar com um relato honesto sobre a vida dos cidadãos locais. Steinbeck deixa muito claro na introdução do livro que eles não tinham nenhuma intenção de desenvolver um relato político e aprofundado da observação que eles pudessem fazer durante essa viagem, e eu concordo com ele que o resultado é mesmo um tanto superficial.

A escrita do Steinbeck é muito bem-humorada e nos dá a ideia de um diário de bordo pessoal, um simples e despretensioso diário de viagem. O que deu um toque mais interessante ao relato; só fiquei na dúvida se cumpri minha meta para o desafio literário, porque no final fiquei meio na dúvida se esse livro realmente é um livro-reportagem ou se eu estava enganada. Não sou muito entendida dessas nomenclaturas.

Achei que as fotos do Capa ficaram muito em segundo plano. Quer dizer, ele voltou com mais de dois mil cliques e nós só podemos ver uma ou outra imagem no decorrer da leitura, como se fosse mero acessório. Achei esquisito. Ao contrário dos editores, no entanto, Steinbeck deixa Capa muito bem contextualizado no livro, dando sempre espaço de sobra na narrativa para a sua fotografia, além de compartilhar com o leitor bastante dos seus hábitos, manias e humor. São os relatos mais engraçados do livro. Ver o fotógrafo por trás daquelas (tão poucas) fotos que aparecem ali dá muito mais peso à sua participação na viagem e na produção do livro.

Não foi a minha leitura preferida do ano, mas é informativa e interessante, sempre curiosa e válida a investigação de diferentes culturas. Pessoalmente, tenho uma atração específica inexplicável pela Rússia, mas mesmo pra quem não compartilha desse entusiasmo, a leitura, pela escrita de Steinbeck, vale ainda, pelo menos, ★★★

O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas AdamsEm seguida, comecei a série do Guia do Mochileiro das Galáxias, do Douglas Adams, e terminei o primeiro volume muito rapidinho. Estava com esses livros na minha lista de leituras há muitos anos, muitos mesmo, tipo 15, e só no início do ano passado eu acabei me deparando com eles numa promoção. Deixei-os a postos. Só muitos meses depois acabei realmente dando a chance.

Não sei o que eu esperava, mas fiquei um pouco confusa. Não sabia que era infanto-juvenil e de início fiquei bastante desanimada. A linguagem da literatura infanto-juvenil me afasta demais de me envolver com a história, provavelmente por falta de hábito, mesmo, e eu demoro muito a me acostumar com a escrita a ponto de ela não me chamar mais atenção do que a história em si. Depois que me acostumei, a leitura fluiu.

O humor do Douglas Adams é tipicamente inglês. Isso diz muito e, no meu caso, é ponto positivo. Pra quem gosta da série Doctor Who, que inclusive tem também uma abordagem ligeiramente infantil, essa “trilogia em quatro volumes” cai como uma luva. Eu adoro Doctor Who, com todas as bobagens incluídas. Muito carinho. Pra mim, as bobagens funcionam melhor na tela do que na escrita. Aliás, a responsabilidade pode inclusive ser da tradução, eu não saberia dizer.

No fim das contas, o livro é divertido. Absolutamente maluco e livre de quaisquer censuras criativas. Tudo pode acontecer, e eu fui surpreendida em vários acontecimentos. É uma leitura rápida e leve. E, assim espero, despretensiosa. Acho conveniente ter esse tipo de literatura por perto, de vez em quando. ★★★

Search Inside Yourself - Chade-Meng TanDia 15, terminei Search Inside Yourself, que estava em andamento já há um tempinho. Por ser um livro teórico, muito informativo, é uma leitura obrigatoriamente mais lenta.

O autor, Chade-Meng Tan, é engenheiro da Google e desenvolveu um curso, homônimo ao livro, com a intenção de espalhar pelo mundo a prática da meditação. Mais especificamente, a  meditação mindfulness, termo que eu não sei como se traduz, mas bem grosseiramente poderia ser algo como atenção, em português. O significado em inglês é muito mais abrangente e específico, mas é por aí.

Esse livro é resultado de toda a pesquisa e aplicação desse curso, no qual ele e toda uma equipe ensinam, em vários exercícios, modos objetivos de se desenvolver a atenção a si e ao ambiente. As consequências dessa atividade possibilitam o aprimoramento da nossa vida pessoal, o que obrigatoriamente acarreta na melhoria do mundo externo.

É interessante que essa prática, tão relacionada à religião e à espiritualidade, apareça cada vez mais amparada pela ciência. Um engenheiro explicando formalmente o mecanismo da meditação é no mínimo curioso.

O objetivo final, de acordo com o próprio autor, é a paz mundial, o que eu acho realmente uma graça. Pra muita gente, pode parecer bobagem. Chade-Meng Tan é conhecido entre os colegas como “o bom camarada” (the jolly good fellow), tipo de gente que pode ser também considerada boba e, por algum motivo obscuro, incômoda pra algumas pessoas. Mas não há nada mais nobre do que um indivíduo que dedica honestamente a maior parte da sua vida propagando e tentando tornar a paz mundial algo real.

Não tem fim a quantidade de gente, de todas as áreas e ofícios, a garantir a importância da prática da meditação. Não é algo a ser ignorado. Essa é uma leitura densa, cheia de sugestões de exercícios muito claramente descritos. Nada a ser absorvido imediatamente, é o tipo de livro pra onde voltar várias e várias vezes. ★★★★

A Festa de Babette - Isak DinesenEm seguida resolvi ler algo mais rápido e leve, e peguei uma edição bem velhinha de A Festa de Babette (e Outras Anedotas do Destino) que minha mãe tem há muitos anos e eu sempre deixei pra depois.

Terminei dia 21 e não era nada do que eu esperava. O livro abre com a novela A Festa de Babette, que foi o meu choque inicial simplesmente porque, com essas liberdades imaginativas que a gente toma, eu esperava que fosse ser outra coisa completamente diferente. Por motivo nenhum, porque, a não ser pelo título abundantemente aludido, eu nunca tive contato nenhum com a história em si. Agora nem consigo dizer exatamente o que eu esperava, mas foi diferente, o que não é sinônimo de ruim, e eu logo me adaptei ao que estava sendo oferecido e aceitei de bom grado e gostei demais mesmo.

Nos contos seguintes, eu já estava familiarizada com o estilo e aberta a ser surpreendida, e por isso sou grata. A escrita de Isak Dinesen, pseudônimo de Karen Blixen, é antiga, mas ela não é. Esse livro é de 1956, mas poderia ser do século XIX. É estranho, mas ‘tá liberado, então por que não, né? Ironicamente, achei um frescor, como estilo. E as histórias, todas com toques daquela estranheza sempre bem-vinda. ★★★★

O Restaurante no Fim do Universo - Douglas AdamsDia 28, terminei O Restaurante no Fim do Universo, que é o segundo volume da série do Guia do Mochileiro das Galáxias. Muito mais legal que o primeiro, por algum motivo sutil que me passou despercebido, porque o estilo é exatamente o mesmo. Não sei se porque já sabia o que esperar da linguagem da escrita, e mesmo do humor do Douglas Adams, mas esse segundo livro me prendeu e divertiu muito mais. Novo fôlego pro próximo, que vai ser minha primeira leitura do ano. ★★★★

 

No mensário de janeiro me despeço dessa classificação estelar. Acho. Ah, não sei. É tão pouco precisa e tão grosseira, mas resume de forma tão prática, e me obriga a tomar decisões objetivas, o que é sempre um desafio pra mim… o que você acha?